“Postar ou não postar, eis a questão”

A quinta Live Pro Comunica, realizada nesta quarta-feira, 20 de maio, abordou o tema Etiqueta Digital, com Julie Sabag, que, à frente do Auditório Online, faz consultoria e marketing digital, e eventos online, oferecendo toda a infraestrutura.

A mentora Claudia Cezaro Zanuso, do Coletivo Pro Comunica, começou pedindo a Julie que falasse sobre sua trajetória profissional. “Sou publicitária, marqueteira e consultora digital. Não gosto de falar em marketing digital, porque marketing é muito mais. É on e off-line.” Julie contou que trabalhava com vendas e há sete anos juntou vendas, marketing e tecnologia. “Hoje, elas andam juntas graças às métricas, utilizadas em desempenho de campanhas online, por exemplo.”
Sobre o limite entre a pessoa física e a jurídica nas redes sociais, Julie destaca que é preciso ter muito cuidado, pois não existe essa distinção. A pessoa física também representa a empresa em que trabalha. “Você é o que você posta”, resume ela, ao explicar que é preciso levar em conta com quem a pessoa está conectada. “É muito diferente falar uma coisa no cafezinho e falar na rede social.”

Por isso, ela acha que as empresas têm de elaborar manuais de conduta e comportamento nas redes sociais para suas equipes. “Temos um comportamento muito emocional com a rede social. Às vezes, a pessoa faz uma postagem e quando vê, já foi. Aí, apaga rápido, porque pouca gente viu.” Mas se é um influenciador, será tarde demais. “A pessoa acaba esquecendo o manual, porque acha que ninguém está vendo. Ainda é muito novo se relacionar por meios digitais. Estamos amadurecendo o relacionamento com o digital.”

Julie destacou a importância de proteger os perfis e ter mais segurança no ambiente digital. E orientou: “Primeiro, devo saber por que estou na rede. É para um relacionamento profissional? É para conversar com amigos?”

“As quatro principais redes sociais – Facebook, Instagram, LinkedIn e Twitter – permitem travas de privacidade. O Facebook permite determinar quem pode ver dados e postagens; no Instagram, a conta pode ser aberta ou fechada, e no Twitter também. Definindo o que quer, você decide se seu perfil é público ou privado, pessoal ou de empresa. Há perfis de pessoas que estão sempre postando informações, mas não colocam nada pessoal. Outras colocam a vida inteira, sem julgamento. É uma escolha da pessoa.” O LinkedIn, afirma, exige um comportamento mais sério, porque é um ambiente para troca de experiências profissionais.

Qualquer que seja o perfil, disse Julie, o importante é interagir. Se alguém comentar seu post, é preciso responder, especialmente uma empresa. Se um cliente fala algo e não recebe resposta, vai ficar frustrado. “É um canal de relacionamento.”

Claudia perguntou o que Julie recomenda para quem quer ter uma presença nas redes, mas não trabalha com comunicação. “O primeiro passo é lembrar que só se deve postar o que se postaria num outdoor. É uma exposição pública, que pede cuidado com segurança e com a exposição. O segundo passo é inspirar-se em outros perfis de que gosta.”

Julie falou também do papel das lideranças, a propósito de uma pergunta sobre a presença de políticos nas redes. “Associo o comportamento dos líderes políticos com o de líderes de uma empresa, pois falam em nome de uma organização. Um líder tem de fazer um bom uso desses canais e não criar desinformação, como fez Trump com a ingestão de um desinfetante. Isso beira a irresponsabilidade.” Por essa razão, “WhatsApp, Facebook e outros estão avisando as pessoas que uma informação é fake news.”

As próprias redes sociais estão patinando e aprimorando-se muito para serem eficazes contra fake news ou perfis falsos. Casos como o da Cambridge Analytica levaram o Facebook, por exemplo, a criar um conselho internacional, que faz uma curadoria e, há um ano, deu uma limpa em muitos perfis.

Para proteger a sociedade sobre a privacidade das informações já está em vigor em alguns países, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).  No Brasil, a expectativa é que seja implantada em agosto de 2020.

“A nossa lei é baseada na europeia General Data Protection Regulation (GRPD) e visa proteger seus dados. Por exemplo: você fez uma compra, passou o e-mail e a empresa se compromete a não passá-lo a ninguém. Para os usuários, o cuidado é na hora de fazer cadastro. Se achar que pedem informações desnecessárias, melhor não informar.” Julie lembrou que o Facebook fazia brincadeiras com rosto do usuário, que podia se ver com dez anos menos. Era uma forma de ter acesso ao perfil. Como fez a Cambridge Analytica ou como os que dão o golpe do WhatsApp. “O usuário precisa ler o que pedem e se informar. Neste último caso, é como dar a senha do banco. A gente cai em golpes por falta de conhecimento.”

A respeito dos serviços de mensagem, Julie confessa que teve de se render ao WhatsApp, muito usado no relacionamento das marcas. “Não há como fugir. Mas acho que tem que profissionalizar o uso. Hoje, 98% dos que têm smartphone no Brasil têm WhatsApp. As pessoas preferem ser abordadas pelo WhatsApp do que por ligações. Uma empresa pequena tem de baixar  versão business. Se é corporativo e alguém manda algo num domingo à noite, já vem uma resposta falando do horário de funcionamento da empresa. O que não pode, insiste, é deixar a pessoa sem resposta.”

Grupos de WhatsApp são outra questão. “Há uma regra simples que as pessoas rompem: se o grupo foi criado para falar da escola, é para falar da escola e não de política, religião ou futebol. Respeite o objetivo do grupo.”

Também é preciso respeitar o tempo das outras pessoas e não ficar com ansiedade porque a resposta não veio imediatamente. Sobre um mediador para os grupos, Julie acha que depende do objetivo, de quem criou e se as regras do grupo estão claras, às vezes já colocadas no status, não precisa de mediação, as pessoas vão se comportar de acordo com o desejado.

Ao responder a uma pergunta sobre como quem não é nativo digital pode se diferenciar, Julie afirmou que o importante é ter a própria personalidade e fazer dela a marca pessoal. “Os imigrantes digitais normalmente têm mais conteúdo. Muita gente com bagagem está off-line e tem que destravar e perder a vergonha de aprender como faz para ser online. A grande qualidade do nosso século é aprender a aprender.”

E neste momento de home office generalizado, quais os recursos? “O melhor é o Zoom. Já usei Google Meet e o Skype está tentando correr atrás. O Facebook está criando o Facebook Rooms para até 50 pessoas, o WhatsApp aumentou para 8 pessoas, mas precisa da última versão do aplicativo. Em geral, quando começa a usar uma tecnologia, a tendência de ficar ali é grande. Desde o início da pandemia, o Zoom teve aumento de 2.000% e superou a questão de segurança das versões antigas. O links eram muito parecidos. Chegaram a invadir reuniões. O ideal é criar um link para cada pessoa se cadastrar via e-mail ou ainda colocar senha para a pessoa entrar.”

Há ainda outros canais. “Alguns consideram o Youtube uma rede social, mas é mais uma rede de busca. Recentemente, aumentou muito a busca por como trabalhar em home office ou por receitas. As pessoas gostam mais de vídeo do que de texto. Só é uma rede social para quem quer ser youtuber.”

E o que dizer sobre o Tik Tok? “A rede onde ainda não está quem tem cartão de crédito, de crianças! As marcas estão investindo em alguns influenciadores, mas ainda de brincadeira. São vídeos de 15 segundos. No Dia das Mães, fiz uma montagem para a minha mãe e minha filha de 8 anos foi me ensinando. Perguntei como ela tinha aprendido. ‘Mexendo!’ O nativo digital é destravado. Controlo o perfil dela, estou de olho.”

Finalmente, Julie deu três dicas de ouro para a presença digital:

1-  Comportamento na rede. O que você faria na vida off-line é o que faria online. Não faça no online o que não faria no off-line. O mundo é um só. Não tem diferença entre on e off. Sua personalidade é uma só.
2-   Cuidado com a veracidade das informações. As pessoas se inspiram. Se for um líder, isso afeta sua reputação. Como checar uma informação? Normalmente fake news é alarmista e não tem fonte. Está duvidando? Antes de repassar, dê um Google, acesse um site de imprensa ou fonte fidedigna.
3-   Não se sinta obrigado a estar em todas as redes. Tem que ter um porquê. E cuidar do relacionamento. Se você não tem perfil para ela, não precisa ter essa rede.


Para contatos com Julie Sabag:



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