No novo normal, marcas ainda importam?


Cecília Russo Troiano e Jaime Troiano, referências em marca e propósito, foram os convidados de mais uma Live Pro Comunica, na tarde de sexta, 29 de maio de 2020. A conversa conduzida por Marcia Glogowski, mentora do Coletivo, começou com a história do lançamento no ano passado do livro “Qual é o seu Propósito?”, da editora CLA. Casados e sócios na Troiano Branding, escreveram o livro a quadro mãos.
Jaime contou que, junto com a empresa americana Bright House, a Troiano Branding organizou internacionalmente o propósito da marca Havaianas.
“Dessa experiência, formulamos nossa metodologia Rota do Soul, explicada neste livro para ajudar organizações a identificar, lapidar e potencializar seu propósito por meio de uma analogia que reúne, de forma poderosa, conceitos de ALMA e SOL, valorizando o SER que confere a autenticidade necessária para se conquistar e sustentar a relevância e a IRRADIAÇÃO que, por sua vez, permite que as ideias cheguem mais longe e causem um impacto maior e mais profundo nas relações que envolvam a marca.”
Para Jaime, o propósito é a mãe de todas as ferramentas de branding. Assim, é a partir dele que se desdobram e se sustentam todas as iniciativas e definições estratégicas. Contextualizando este momento que enfatiza a importância do propósito, abordaram o conceito de Realidade Líquida de Zygmunt Bauman, sociólogo e psicólogo polonês, segundo o qual as transformações e relações acontecem de maneira rápida e imprevisível. Portanto, a busca pelo sentido se torna central e o propósito mostra-se como a chave para aproximar a todos do que é permanente, duradouro e consistente.
Afinal, “uma marca sem propósito é uma marca sem alma”, referência que Cecília fez a uma fala constante de Jaime.
Neste momento, o propósito ganha ainda mais importância?

Para Cecília, a pandemia é tudo de ruim, mas ela tem coisas boas ao mesmo tempo. “Atualmente estamos sendo empurrados para dentro, para o núcleo, para quem somos. Estamos nos autoanalisando.”

Diz Jaime: “Nós continuamos defendendo o propósito das marcas. Algumas vezes, ele é confundido com Missão. A diferença é que a Missão é o que sei fazer bem. Visão é para onde quero ir. E Propósito é por que existo, qual minha razão de ser.”

Segundo eles, o propósito das marcas tem que vir da alma, tem que ter um sentido autêntico. Fake é propósito criado de fora para dentro. “Propósito não é um perfume que você aplica em uma flor; é a fragrância que nasce dela mesma”, filosofou Jaime. Tem a ver com autenticidade.

Para Cecília, marca não é tapume. Ela não existe para esconder o que se faz do lado de dentro. As coisas são comunicantes.

E o futuro das marcas pós-pandemia?

Ambos não têm dúvidas de que as marcas que se sobressairão na pandemia são as que têm propósitos bem definidos. Uma marca exemplar é o Magazine Luiza, que continua a trabalhar a causa da violência doméstica contra mulheres e crianças e colocou à disposição de seus clientes e seguidores um canal de contato direto com o Disque Denúncia.

Várias outras marcas, além de continuar atendendo seus clientes, se uniram para ajudar os necessitados, gerando um grande impacto social. “O lado positivo da pandemia é a criação de novos laços com as marcas”, afirma Cecília.

Qual é a importância da reputação para o negócio? Segundo a Oxford University, ela representa 40% do valor de mercado de uma organização.

Jaime explicou que eles fizeram um trabalho com a revista Época Negócios com 200 empresas, estudando o nível de reputação, ou seja, é algo que pode ser medido. É uma moeda fundamental para a capitalização de mercado, por exemplo, para marcas que operam nas bolsas de valores.

Segundo ele, quando bem administrada, a reputação cria um ‘saldo médio’, como se fosse um estoque de energia. Imagine-se uma empresa que enfrenta uma crise e adota medidas para resolvê-la. O saldo médio de reputação ajuda atravessar a crise e permite que as pessoas perdoem a empresa mais facilmente. Mas ela tem que ser fiel ao seu propósito.

Se for feito o contrário, porém, desgasta-se mais a imagem. O uso comercial de algumas iniciativas pode prejudicar a reputação. Para Cecília, dar luz às empresas que fazem coisas positivas é papel da imprensa e da própria sociedade. “Hoje vivemos dentro de uma tempestade perfeita, fruto da pandemia. Estamos pagando um pedágio social muito alto por tudo o que não foi feito durante séculos.”

O que pensam de produtos sem marca, como ‘no brand’?

“Este nome já é uma marca, mesmo que negue a marca”, afirma Cecília. Porque, para ela, marcas são significados que você quer deixar. Ela lembrou Jeff Bezos, CEO da Amazon, que define marca como aquilo que alguém fala de você quando você sai da sala. Ou seja, como algo residual de sua imagem.

“Martin Lindstrom, autor dinamarquês do livro Brandwashed, editado pela HSM no Brasil, foi prefaciado por mim”, disse Jaime. “Para escrevê-lo, o autor fez uma experiência. Listou as 210 marcas de que mais gosta e ficou meses sem usá-las. Mas não conseguiu... Porque as marcas nos identificam e nos fazem felizes.” 

“Uma coisa é o que eu sou e outra é o que desejo ser. Entre uma coisa e outra existem as marcas que complementam nossa identidade e nos aproximam de nosso projeto de felicidade. A experiência com o isolamento traz grandes oportunidades de aprendizado para as marcas”, diz Jaime.


Para encerrar, eles deram dicas de ouro a quem deseja construir uma marca forte:


Jaime:
1.    Esqueça a vaidade corporativa, tenha humildade de olhar para fora.
2.    Marca se constrói de dentro para fora. Seus colaboradores têm que ser o primeiro público a conhecer profundamente a marca
3.    Olhar e saber com uma pesquisa o que estão dizendo de você
4.    Não ler só livros técnicos, leia romances, ficção, histórias!


Cecília:
1.      Foco. Saber quem você é, qual a sua identidade, qual é seu posicionamento.
2.      Abrir mão. Decidir o que quer falar, selecionar como você quer ser visto.
3.      Marca forte é aquela que conhece muito bem as pessoas, que entende de gente.


Para nós, do Coletivo Pro Comunica, essa Live teve tudo a ver com nosso propósito, que é disseminar conhecimento sobre comunicação para alavancar novos negócios. Para isso, criamos a MarcAtiva, uma plataforma com 8 passos para o novo empreendedor fazer sua comunicação. O primeiro passo é definir o Propósito. Pense nisso!


Quer conhecê-los melhor?

Cecilia Troiano
Psicóloga, iniciou a carreira trabalhando em Consumer Insigths de agências de publicidade, além de institutos de pesquisa. Em 1997, associou-se à TroianoBranding.

É autora de três livros: “Vida de Equilibrista – Dores e delícias da mãe que trabalha”; “Aprendiz de Equilibrista – Como ensinar os filhos a conciliar família e trabalho”; “Garotas Equilibristas – O projeto de felicidade das mulheres que estão chegando ao mercado de trabalho”, lançados em 2007, 2011 e 2017 respectivamente.

Além de autora de seu blog (www.vidadeequilibrista.com.br), é colunista da Revista Pais & Filhos e, junto com Jaime Troiano, está todos os sábados na Rádio CBN com o programa “Sua marca vai ser um sucesso”.  Adora dar palestras relacionados a marcas e mulheres. Como boa equilibrista, Cecília é mãe de Beatriz e Gabriel e uma dedicada praticante de tênis, yoga e corrida.

Livros de Cecília
“Sou a expressão de meu propósito nos livros que escrevo. Uso a expressão equilibrista porque são autobiográficos. A inspiração em 2007 foi para abrir o debate e sair da minha própria vivência. Como uma equilibrista, a sabedoria é separar os pratos de cristal dos de borracha. Não deixá-los, porque precisam ser alimentados.”


Jaime Troiano
Formado em Engenharia Química e em Sociologia, Jaime fundou e comanda há 25 anos a TroianoBranding. Antes, foi VP de Planejamento e Consumer Insights em agências de publicidade. Tem diversos artigos e estudos sobre Branding e comportamento do consumidor publicados no Brasil e no exterior. Além de suas funções na TroianoBranding, contribui para diversos veículos na área de marketing e negócios.

É autor do livro “As marcas no divã: uma análise de consumidores e criação de valor” - e “Brandintelligence – Construindo marcas fortes que fortalecem empresas e movimentam a economia”.

Jaime é fã de música clássica e de pedalar sua inseparável bicicleta pelas estradas em Aldeia da Serra e pelo mundo.

Livros do Jaime
“Sempre sobre a marca, com tom meio profético. Temos um livro em nosso site – troianobranding.com – fruto da programação semanal da CBN, são quase 300 programas, onde somos entrevistados pelo Milton Jung. Olho também para o pequeno empreendedor para dar sentido de especialidade para o que faço e para que eu possa ajudar as empresas e as marcas. Por isso, tenho um programa no Youtube chamado Marcas & Divãs (https://youtu.be/shflDetsE20) com temas um pouco menos técnicos, um dos últimos, falo sobre o que aprendi com Machado de Assis, no livro O Espelho. Nele, o personagem não se via como pessoa sem o espelho. É a analogia perfeita para a identificação das pessoas com as marcas, sem as quais nos perdemos. Porém, não devemos ser traídos pelo desejo de consumo a qualquer momento.”

“Postar ou não postar, eis a questão”

A quinta Live Pro Comunica, realizada nesta quarta-feira, 20 de maio, abordou o tema Etiqueta Digital, com Julie Sabag, que, à frente do Auditório Online, faz consultoria e marketing digital, e eventos online, oferecendo toda a infraestrutura.

A mentora Claudia Cezaro Zanuso, do Coletivo Pro Comunica, começou pedindo a Julie que falasse sobre sua trajetória profissional. “Sou publicitária, marqueteira e consultora digital. Não gosto de falar em marketing digital, porque marketing é muito mais. É on e off-line.” Julie contou que trabalhava com vendas e há sete anos juntou vendas, marketing e tecnologia. “Hoje, elas andam juntas graças às métricas, utilizadas em desempenho de campanhas online, por exemplo.”
Sobre o limite entre a pessoa física e a jurídica nas redes sociais, Julie destaca que é preciso ter muito cuidado, pois não existe essa distinção. A pessoa física também representa a empresa em que trabalha. “Você é o que você posta”, resume ela, ao explicar que é preciso levar em conta com quem a pessoa está conectada. “É muito diferente falar uma coisa no cafezinho e falar na rede social.”

Por isso, ela acha que as empresas têm de elaborar manuais de conduta e comportamento nas redes sociais para suas equipes. “Temos um comportamento muito emocional com a rede social. Às vezes, a pessoa faz uma postagem e quando vê, já foi. Aí, apaga rápido, porque pouca gente viu.” Mas se é um influenciador, será tarde demais. “A pessoa acaba esquecendo o manual, porque acha que ninguém está vendo. Ainda é muito novo se relacionar por meios digitais. Estamos amadurecendo o relacionamento com o digital.”

Julie destacou a importância de proteger os perfis e ter mais segurança no ambiente digital. E orientou: “Primeiro, devo saber por que estou na rede. É para um relacionamento profissional? É para conversar com amigos?”

“As quatro principais redes sociais – Facebook, Instagram, LinkedIn e Twitter – permitem travas de privacidade. O Facebook permite determinar quem pode ver dados e postagens; no Instagram, a conta pode ser aberta ou fechada, e no Twitter também. Definindo o que quer, você decide se seu perfil é público ou privado, pessoal ou de empresa. Há perfis de pessoas que estão sempre postando informações, mas não colocam nada pessoal. Outras colocam a vida inteira, sem julgamento. É uma escolha da pessoa.” O LinkedIn, afirma, exige um comportamento mais sério, porque é um ambiente para troca de experiências profissionais.

Qualquer que seja o perfil, disse Julie, o importante é interagir. Se alguém comentar seu post, é preciso responder, especialmente uma empresa. Se um cliente fala algo e não recebe resposta, vai ficar frustrado. “É um canal de relacionamento.”

Claudia perguntou o que Julie recomenda para quem quer ter uma presença nas redes, mas não trabalha com comunicação. “O primeiro passo é lembrar que só se deve postar o que se postaria num outdoor. É uma exposição pública, que pede cuidado com segurança e com a exposição. O segundo passo é inspirar-se em outros perfis de que gosta.”

Julie falou também do papel das lideranças, a propósito de uma pergunta sobre a presença de políticos nas redes. “Associo o comportamento dos líderes políticos com o de líderes de uma empresa, pois falam em nome de uma organização. Um líder tem de fazer um bom uso desses canais e não criar desinformação, como fez Trump com a ingestão de um desinfetante. Isso beira a irresponsabilidade.” Por essa razão, “WhatsApp, Facebook e outros estão avisando as pessoas que uma informação é fake news.”

As próprias redes sociais estão patinando e aprimorando-se muito para serem eficazes contra fake news ou perfis falsos. Casos como o da Cambridge Analytica levaram o Facebook, por exemplo, a criar um conselho internacional, que faz uma curadoria e, há um ano, deu uma limpa em muitos perfis.

Para proteger a sociedade sobre a privacidade das informações já está em vigor em alguns países, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).  No Brasil, a expectativa é que seja implantada em agosto de 2020.

“A nossa lei é baseada na europeia General Data Protection Regulation (GRPD) e visa proteger seus dados. Por exemplo: você fez uma compra, passou o e-mail e a empresa se compromete a não passá-lo a ninguém. Para os usuários, o cuidado é na hora de fazer cadastro. Se achar que pedem informações desnecessárias, melhor não informar.” Julie lembrou que o Facebook fazia brincadeiras com rosto do usuário, que podia se ver com dez anos menos. Era uma forma de ter acesso ao perfil. Como fez a Cambridge Analytica ou como os que dão o golpe do WhatsApp. “O usuário precisa ler o que pedem e se informar. Neste último caso, é como dar a senha do banco. A gente cai em golpes por falta de conhecimento.”

A respeito dos serviços de mensagem, Julie confessa que teve de se render ao WhatsApp, muito usado no relacionamento das marcas. “Não há como fugir. Mas acho que tem que profissionalizar o uso. Hoje, 98% dos que têm smartphone no Brasil têm WhatsApp. As pessoas preferem ser abordadas pelo WhatsApp do que por ligações. Uma empresa pequena tem de baixar  versão business. Se é corporativo e alguém manda algo num domingo à noite, já vem uma resposta falando do horário de funcionamento da empresa. O que não pode, insiste, é deixar a pessoa sem resposta.”

Grupos de WhatsApp são outra questão. “Há uma regra simples que as pessoas rompem: se o grupo foi criado para falar da escola, é para falar da escola e não de política, religião ou futebol. Respeite o objetivo do grupo.”

Também é preciso respeitar o tempo das outras pessoas e não ficar com ansiedade porque a resposta não veio imediatamente. Sobre um mediador para os grupos, Julie acha que depende do objetivo, de quem criou e se as regras do grupo estão claras, às vezes já colocadas no status, não precisa de mediação, as pessoas vão se comportar de acordo com o desejado.

Ao responder a uma pergunta sobre como quem não é nativo digital pode se diferenciar, Julie afirmou que o importante é ter a própria personalidade e fazer dela a marca pessoal. “Os imigrantes digitais normalmente têm mais conteúdo. Muita gente com bagagem está off-line e tem que destravar e perder a vergonha de aprender como faz para ser online. A grande qualidade do nosso século é aprender a aprender.”

E neste momento de home office generalizado, quais os recursos? “O melhor é o Zoom. Já usei Google Meet e o Skype está tentando correr atrás. O Facebook está criando o Facebook Rooms para até 50 pessoas, o WhatsApp aumentou para 8 pessoas, mas precisa da última versão do aplicativo. Em geral, quando começa a usar uma tecnologia, a tendência de ficar ali é grande. Desde o início da pandemia, o Zoom teve aumento de 2.000% e superou a questão de segurança das versões antigas. O links eram muito parecidos. Chegaram a invadir reuniões. O ideal é criar um link para cada pessoa se cadastrar via e-mail ou ainda colocar senha para a pessoa entrar.”

Há ainda outros canais. “Alguns consideram o Youtube uma rede social, mas é mais uma rede de busca. Recentemente, aumentou muito a busca por como trabalhar em home office ou por receitas. As pessoas gostam mais de vídeo do que de texto. Só é uma rede social para quem quer ser youtuber.”

E o que dizer sobre o Tik Tok? “A rede onde ainda não está quem tem cartão de crédito, de crianças! As marcas estão investindo em alguns influenciadores, mas ainda de brincadeira. São vídeos de 15 segundos. No Dia das Mães, fiz uma montagem para a minha mãe e minha filha de 8 anos foi me ensinando. Perguntei como ela tinha aprendido. ‘Mexendo!’ O nativo digital é destravado. Controlo o perfil dela, estou de olho.”

Finalmente, Julie deu três dicas de ouro para a presença digital:

1-  Comportamento na rede. O que você faria na vida off-line é o que faria online. Não faça no online o que não faria no off-line. O mundo é um só. Não tem diferença entre on e off. Sua personalidade é uma só.
2-   Cuidado com a veracidade das informações. As pessoas se inspiram. Se for um líder, isso afeta sua reputação. Como checar uma informação? Normalmente fake news é alarmista e não tem fonte. Está duvidando? Antes de repassar, dê um Google, acesse um site de imprensa ou fonte fidedigna.
3-   Não se sinta obrigado a estar em todas as redes. Tem que ter um porquê. E cuidar do relacionamento. Se você não tem perfil para ela, não precisa ter essa rede.


Para contatos com Julie Sabag:



Comunicação por canais digitais


O que podemos aprender com um youtuber, cujo canal tem como propósito “o seu momento de saborear a vida com propósito” e com mais de 5 milhões de visualizações?

Esse foi o motivo da live que Marcia Glogowski, mentora do Coletivo Pro Comunica, conduziu com Dimas Moura, na tarde desta terça, 12 de maio.

Dimas tem 62 anos, é casado, tem dois filhos e dois netos. É engenheiro eletrônico e grande parte de sua carreira foi em multinacionais como head de marketing na área de tecnologia. Metódico assumido, Dimas nutria um plano de fazer um hard stop depois dos 60 anos, por ser um entusiasta em programas sociais. Queria ajudar as pessoas. Foi o idealizador e coordenador do Programa de Mentoring profissional para Jovens de comunidades carentes, por 7 anos, quando trabalhava na HP. Hoje continua com o mesmo projeto de Mentoring na ONG Música em Ação, com foco em mercado de trabalho e empreendedorismo. 

“O meu primeiro sonho era dar uma volta ao mundo e conhecer de perto alguns projetos sociais para jovens carentes. Acabei não conseguindo realizá-lo e aí comecei a procurar outro propósito. Um dia assisti a um programa sobre influenciadores digitais. Eram mulheres falando de culinária, maquiagem, etc. Achei superinteressante e pensei: por que não ser influenciador digital para quem tem mais de 50 anos? Com o apoio da minha esposa, nasceu a ideia que deu origem ao meu canal.”

Ser feliz da alma

Para dar essa virada, Dimas se preparou. Desenhou um plano de execução, hábito que adquiriu como profissional de marketing. Mas seu primeiro passo foi fazer o planejamento financeiro.

“Na parte financeira temos cinco fases: a 1ª é a do ‘quebrado’, mais despesa do que renda; a 2ª é a do ‘zero a zero’, quando as despesas são iguais às receitas; na 3ª fase a gente entra na ‘emergência’, ou seja, ter grana para quando acontecer alguma coisa; a 4ª fase é a da aposentadoria e a 5ª fase é o sonho! Construí meu sonho em 3 anos.”

Para ele, o empreendedor tem que ser um apaixonado, mas tem que lidar com lógica e razão. O que aprendeu com sua trajetória foi dar passos na seguinte sequência para alcançar o sonho: ter um propósito, se divertir e por último, monetizar.

Estudando o YouTube

Propósito é quando você pensa no outro, na coletividade. “Eu sou um desenvolvedor de conteúdo. Como youtuber, falo de coração e desempenhar esse papel é surpreendente”. Dimas contou que foi para o Facebook e para o Instagram, mas logo percebeu que não eram o seu canal. “Eu levei um ano para conseguir mil seguidores pelo Face e Instagram.
E oito meses para conquistar 100 mil pelo YouTube. Não sei dizer ao certo o que fiz.”
Ele usa tags, palavras-chave para conseguir ser bem ranqueado. “Não sou bom de escrita, mas sou criativo. E as pessoas não querem ler, querem escutar, ver e interagir. As pessoas buscam assuntos no YouTube antes do Google, pela interatividade, porque ele já mostra vídeos, imagens.”

Para planejar o canal, ele investiu em um treinamento nos EUA, onde participou do maior evento de como viver no exterior. Desde agosto de 2017, fundou e desenvolve conteúdo do Canal mais50 para os mais de 153 mil seguidores e os seguintes tópicos: 
1) Viver no exterior (Melhores locais para viver no exterior e Brasil) 
2) Finanças (Educação financeiras para os + 50)
3) Vida saudável (Como cuidar bem do corpo e mente)
4) Cotidiano (Dia a dia da geração + 50)

“Hoje sei que o poder da palavra é imenso e que credibilidade e conteúdo relevante fazem de seus seguidores porta-vozes do seu canal. Tenho pessoas que escrevem meus roteiros, para eu criar e desenvolver os vídeos.”

Como é a interatividade no seu canal?

“Hoje faço 80% dos conteúdos a pedido dos meus seguidores. Recebo sugestões da minha audiência. Invisto duas horas por dia para responder aos meus seguidores. Escuto muitas histórias tristes e muitas vezes me pedem conselhos. Até fiz um vídeo chamado ‘Para de ser trouxa’, a fim de atender algumas solicitações. Houve um tema que gerou 1.200 respostas entre os seguidores a partir de uma resposta que eu dei. Isso ajuda a dar visibilidade ao meu canal.”

A comunicação tem muito valor para qualquer empreendimento

Mas no começo, Dimas teve que fazer uma escolha: ou faço o negócio ou faço comunicação. No começo, o empreendedor faz de tudo.

“Durante a pandemia, tenho feito pouco conteúdo sobre viver no exterior, para ser empático com minha audiência. A preocupação de todos agora, é viver. Mesmo que eu tenha menos visualizações, meu objetivo é ajudar meu público a superar este momento. O meu movimento é fazer parte do mundo.”

Quando Dimas viaja, ele vê projetos a serem implementados que não têm chance de dar certo, porque não passaram pela fase de construção do negócio, a fase do planejamento. Por isso aconselha:
  •           Fique muito ligado. O importante é observar o que está acontecendo para ter ideias.
  •       Explore outros caminhos. Ser um influenciador não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona. Precisa ter propósito.
  •           Associe ideias. Una diferentes capacidades técnicas.
  •         Aproxime-se de pessoas que queiram construir alguma cosa na vida, que valorizem a competência.

“Faça sua comunicação sozinho até a página 2, aí contrate um profissional de comunicação para ‘rampar’, porque comunicação não é o core do empreendedor e porque a diferença entre o amador e o profissional de comunicação é grande. Os resultados são totalmente diferentes.”

Fica aí o registro da Live Comunicação por Canais Digitais com Dimas Moura, responsável pelo canal Mais 50. Quem quiser segui-lo é só se inscrever em



A EESC Jr, a Comunicação e o Empreendedorismo com Marcela Rampani

A terceira Live Pro Comunica começou com a fala da mentora do Coletivo Pro Comunica Monica Deliberato, que observa a crescente onda de empreendedorismo em nosso país. “No Coletivo, a gente entende que a forma como se trata a comunicação deve ser facilitada para o empreendedor. Foi aí que nasceu o conceito da plataforma MarcAtiva. E para torná-la digital, conhecemos a EESC jr.”, afirmou. Para Monica, o empresário precisa do suporte dos universitários para trazer inovação ao seu negócio.

Conhecendo a EESC jr.
Somos estudantes de engenharia, arquitetura e tecnologia e trabalhamos em uma empresa júnior, totalmente formada por estudantes, explica Marcela Rampani, nossa entrevistada.

“Fazemos parte de uma rede de empresas juniores em todo o País. Nossos diferenciais são a qualificação da faculdade, estar em contato com o cliente, trabalhando a sua jornada dentro da universidade. Para quem nos contrata, temos o apoio dos professores e o acervo de materiais à disposição para entregas com qualidade. E o melhor: nossos preços são abaixo do mercado!”

Missão
Formar, por meio da vivência empresarial, empreendedores comprometidos e capazes de transformar o Brasil.

Visão
Brasil em rede: fortaleceremos a educação empreendedora no País, alcançando 27 federações, 600 empresas juniores, sendo 330 de alto crescimento.

Marcela explicou que a empresa júnior é multiengenharias. “Temos várias personas. Atendemos pequenos negócios, empresas maiores até um empreendedor individual ou alguém que deseja construir sua casa. Temos alguns parceiros, os dois mais renomados são a McKinsey e a Visagio. Fazem a gestão dos trabalhos da graduação e do atendimento aos nossos clientes.”

Clareza sobre o perfil dos públicos que desejamos atender

Os clientes chegam até a EESC jr. por estratégias de marketing ou por indicação de outras empresas juniores da rede. “No marketing, que é minha área, trabalhamos conteúdo para o blog e o site e investimos no Google Ads. Nas redes sociais, marcamos presença para que nossa marca seja conhecida. Com certeza são de extrema importância para vendas e para o desenvolvimento dos serviços. A gente investe muito. Nós nos esforçamos nisso. As pesquisas na internet geram negócio.”

Entretanto, a EESC jr. enfrentou problemas no começo da pandemia, como por exemplo, a área de engenharia ambiental por não ser prioridade neste momento. “Os ensaios de laboratório estão parados também. Então revisitamos nossa carta de serviços, fomos observar o mercado para levantar as ‘novas’ necessidades dos clientes.”

“Nosso o atendimento ao cliente começa pela coleta de informações e formulamos algumas ideias simplificadas sobre ele. Nosso gerente de negócios faz o primeiro contato para direcionamento e diagnóstico. É a fase em que identificamos as dores em detalhes. Montamos a proposta, junto com a nossa área de projetos. Uma vez apresentada a proposta, entramos na fase de negociação até o contrato. Montamos uma célula de trabalho com vários profissionais. O líder de projetos (LP) mantém a comunicação com o cliente, até a entrega final.”

“Posso citar o case da Óleo Ponto, cujo sonho era criar uma startup para coleta de óleo usado. O ponto de coleta é uma máquina, que foi desenvolvida por nós. O cliente ficou bem satisfeito”, contou Marcela. “Nesta semana tivemos a efetivação de membros da EESC jr. nessa empresa. Isso serviu de exemplo e estímulo para nossos trainees.”

Marcela pensa que a comunicação é de extrema importância. Na conquista do cliente e no atendimento a ele. É o que faz com que a jornada do cliente seja bem sucedida. “Prezamos pela comunicação durante todo o projeto até a sua fidelização.”

Empreendedora de si mesma

Marcela está no 3º ano de engenharia civil e se interessou pela vaga de marketing da EESC jr. “Sou proativa, fiz cursos online, pesquisei, estudei e recebi ajuda dos estudantes que já estavam na empresa júnior.” Para se comunicar é necessário ser efetivo. Não dá para começar do nada, sem ter conhecimento. Comecei sozinha, mas busquei informações sobre comunicação. Todos somos comunicadores, mas é interessante desenvolver habilidades de comunicação. A execução não é fácil. Vejo necessidade de compartilhar com profissionais da área, por isso a proposta do Coletivo é tão bacana! Assim, o empreendedor pode fazer a gestão de seu tempo e dar conta de todas as outras funções da empresa.”

A primeira venda não é a única

“Um outro cliente nosso é a Felipelli, uma consultoria em gestão de pessoas e que nos demandou o mapeamento dos processos da empresa. Mantivemos a comunicação com o cliente do início ao fim do projeto. A partir da entrega, fechamos mais três novas oportunidades de trabalho com eles. E a nossa líder de projetos preencheu a vaga de estágio na empresa cliente. Um sucesso!”

Para encerrar, Marcela deixou uma dica geral: “Aos interessados, aproveitem ao máximo o que entregamos pela vontade e qualificação que temos! Com certeza, nossas soluções podem alavancar os resultados da empresa. Se precisarem, estamos à disposição.”

O seu negócio é para o Instagram?

A mentora Claudia Cezaro Zanuso, do Coletivo Pro Comunica, conversou nesta quarta-feira, dia 7 de outubro, com a jornalista e influencer Ma...