O seu negócio é para o Instagram?


A mentora Claudia Cezaro Zanuso, do Coletivo Pro Comunica, conversou nesta quarta-feira, dia 7 de outubro, com a jornalista e influencer Marília Andrade, idealizadora do Farejando por aí, canal sobre pets e afins no Instagram (@farejandoporai). Ao criar o canal, unindo as paixões por pets e viagens, Marília estudou a fundo o Instagram. Dedica-se a ele em paralelo ao seu trabalho na área de marketing em uma empresa de tecnologia. E dá aqui uma verdadeira aula de como tirar o melhor da rede social.

Marília logo avisa que o Instagram requer muita dedicação, já que é preciso postar todo dia, de forma planejada e linguagem coerente. A dedicação dá resultado. Em um ano, Farejando por aí conquistou 3.508 seguidores orgânicos.

Para ter um perfil pessoal, de empresa ou como influencer, diz Marília, o ponto primordial é definir que tipo de negócio é o seu. Qual é o tipo de perfil para o negócio, para a pessoa ou para o influencer? É para venda? De serviço ou de produto?

Não é preciso estar em todas as plataformas, mas deve haver uma identificação e ser natural. Não posso fazer um perfil que não seja eu.

Depois, é perseguir o posicionamento da marca – vou defender uma causa? Por que estar no Instagram? Preciso ter um objetivo e trazer um conteúdo relevante para levar ao público. Quem é esse público? Que linguagem usar? Em resumo:

  • Tipos de perfil (influenciador, venda de produtos, venda de serviços)
  • Traçar o objetivo do uso da ferramenta
  • Traçar o público para entender a linguagem

No Farejando, sei com quem falo. São pessoas que amam pets, que gastam com eles. Sei a linguagem, porque ela está no meu dia a dia. Para não falar sozinho, mas ter uma troca com o público, temos que usar a linguagem adequada.

Para estar presente no Instagram, a primeira medida é deixar o perfil aberto, se você quer expor seu produto ou serviço. Se a página está bloqueada, a pessoa desiste de seguir você.

Quanto mais simples e rápido o acesso, melhor. A foto e o nome são muito importantes. Foto dá mais proximidade, mas para empresas o logo funciona bem. Tudo precisa ser fácil de achar e identificar.

O que é a bio? É a própria introdução sob seu nome. É como um cartão de visitas. Uso hashtags ali, pois são uma forma de pesquisa e automaticamente ajudam a me acharem mais facilmente. É uma frase curta, dizendo o que você faz. Fácil de entender. 

Cuidar da comunicação visual é importante? Sim, muita gente vende só pelo Instagram. Ele tem que estar bonito e arrumado. A identidade visual deixa o feed em ordem, com itens da marca nos posts e padrão de raciocínio. No feed, todas as fotos juntas têm que ornar. Também é importante ter fotos bonitas. 

Quais recomendações para conteúdo? O ideal é que seja seu próprio conteúdo. Não copie textos de outros. Se for usar conteúdos de outros, insira entre aspas e publique a fonte, Muito respeito com conteúdo de outro profissional. Também não se deve só usar frases de impacto, mas trazer informações que possam mudar o dia a dia da pessoa. Relacione seu perfil com coisas que tenham a ver com a rotina das pessoas, recomenda.

Contar sua história faz a diferença. A pessoa tem que aparecer. Todo mundo gosta de conhecer a pessoa que está por trás do negócio, conhecer a história e o que pensa, para se identificar. Quando a loja traz só o produto, fica distante. Muita gente não gosta de aparecer, mas precisa. Grave, ensaie e faça aos poucos, porque isso cria conexão.

Para montar os posts, muita gente diz que não sabe mexer com arte. Mas tem muito aplicativo para stories e feed. E tem o Canva. Use no notebook na versão gratuita. Dá para fazer várias artes. Um bom jeito é testar: prepare tudo e depois suba na rede. Grave tudo no celular, guarde na galeria e vá postando aos poucos. O Insta nos testa o tempo todo. A gente posta, não gosta e vai melhorando.

Dos recursos do Instagram, o que funciona mais? O próprio Insta gosta que você use tudo. Quanto mais usar, mais ele vai mostrar você para outras pessoas. Dá para usar o mesmo conteúdo nos recursos da rede:

 Destaques – são as bolinhas em cima do feed. Só salvam stories. Quando quiser guardar, abra um destaque e jogue todas as stories sobre qualquer assunto. Há uma capinha que você pode personalizar. Veja no Pinterest. Por exemplo, coloque capa em todas as suas stories de viagens ou de receitas. Ponha uma para cada e jogue nos destaques.

·    Stories – É para aparecer. Quanto mais stories colocar, mais à frente ficam as bolinhas. Então, fica a dica: faça várias fotos, guarde e vá soltando nos stories. É legal mostrar o dia a dia, mesmo que seja empresa – mostre produção, a embalagem, a entrega. Fica só 24 horas, mas tem os recursos de enquete, perguntas, música. E podemos pôr dois stories. Os 2 ficam 24 horas. É bom alimentar durante o dia. Não precisa ser em tempo real. Pode ser da semana passada. Importante legendar vídeos (às vezes as pessoas estão sem acesso ao som) e taguear os locais onde está. Fiz a localização da Paróquia de São Francisco e pessoas que me acharam pela localização começaram a me seguir.

·     Taguear – é marcar pessoas e perfis. Isso cria uma rede de comunicação. Quando vou à Cobase, por exemplo, marco o lugar e às vezes eles compartilham. No story, a gente tagueia em cima do próprio texto, usando a arroba já aparece o perfil (confirme se é o certo). Pode marcar a localização pelo GPS. Já no feed, tem que marcar a pessoa ou colocar a localização.

·       Feed – pode ter foto, vídeo ou carrossel, que chama mais atenção. As pessoas veem uma a uma. Se você faz um carrossel com cinco fotos, seu perfil aparece cinco vezes, pois o robô entende que as pessoas estão vendo e vai mostrando mais. O caminho é se preocupar menos com os seguidores e mais com o engajamento. Recomendo pelo menos uma foto por dia – melhor uma por dia do que muitas num dia. No Farejando, tiro várias fotos e posto depois.

·         Reels – é a nova aposta para bater o Tiktok. São vídeos curtos, de 15 segundos, bem criativos. A vantagem é que vai para muita gente. Recomendo para mostrar produto. Por exemplo, um modelo provando roupa. Dá para editar, traz informação pela imagem, é descontraído e tem grande alcance.

·         IGTV – Aí ficam os vídeos com mensagens mais longas. As lives vão para o IGTV e o próprio Instagram tem aplicativo que consegue subir vídeos feitos em algum lugar. Fica tudo salvo ali. Pode ser live ou você falando do produto e do seu atendimento. E pode personalizar capa também.

·         Direct – Fique atento e sempre responda a qualquer mensagem. É por lá que falam com sua marca. Não deixe a pessoa falando sozinha. Tem que responder na hora. As pessoas são imediatistas e quanto mais rápido responder, melhor. Pode até deixar uma mensagem padrão pronta, mas o ideal é conversar.

·         Anúncios – O Instagram, como o Facebook, é uma ferramenta de negócios. Ele não entrega o seu conteúdo se você não anunciar. Faça posts ou stories próprios para isso. Anúncio é super importante – nunca compre seguidores, mas anuncie sim, quanto mais dinheiro, mais pessoas conseguirá para seu canal. O ideal é que faça pelo Face, mas o botão promover no Insta é muito fácil e dá para planejar bem o que quer. É muito difícil só organicamente.

Tudo isso deve ser feito com planejamento. Há um botão de informações do canal, que informa público, dia e hora que o post foi visto. É bom ficar de olho. A plataforma trabalha o conteúdo 24 horas, mas se postar na hora que as pessoas estão online, melhor. Os melhores horários são logo cedo ou à noite. A frequência é fundamental. Melhor um post por dia do que vários em um dia e ficar dias sem postar.

Marília também esclareceu que no Instagram não é possível colocar links nos posts. Já na bio é possível colocar um link de contato desde que seja preenchido pelo computador. Usando aplicativos como o link tree você pode colocar mais de um link, inclusive, mas alerta que não adianta fazer um link tree se não tiver conteúdo. Já o recurso de arrastar para cima nos stories só pode ser usado por quem tem mais de 10 mil seguidores. É possível fazer o 'arrasta para cima' porém, quando é para puxar um vídeo do IGTV. Ao fazer uma live, por exemplo, é possível salvá-la no IGTV, gravar uma storie falando sobre a live e colocando o 'arrasta para cima' linkando com o vídeo que foi salvo no IGTV.

E atenção às dicas preciosas da Marília:

Erros mais comuns

  • Não seguir um padrão de comunicação – principalmente visual. Estética é fundamenta
  • Não ter frequência – aproveite um domingo, pense nos posts e se programe
  • Falar sozinho e não interagir com o público – responda aos comentários da sua foto
  • Achar que o Instagram vai salvar as vendas do negócio – Instagram é só uma ferramenta, uma parte da presença digital
  • Não ter conteúdo original – escreva ou contrate alguém para escrever
  • Misturar profissional com pessoal – pense no objetivo do canal, como falamos no início. Se sigo uma pessoa por seu trabalho e ela mostra também a família, paro de seguir. Tem que ter uma continuidade de raciocínio.

Para ter sucesso

  • Tenha paciência. O importante é o engajamento, não o número de seguidores. É um trabalho gostoso, mas que exige dedicação. Não dá para ser de um dia para o outro. Como influencer, dedico umas três 3 horas por dia. É mais fácil se programar para a semana. Mas postar a cada dia e entrar para interagir com as pessoas.
  • Nunca compre seguidores – sorteios são bons, desde que sejam coisas do seu negócio, do seu serviço, não adianta sortear um produto conhecido para atrair gente que depois vai deixar de seguir você.
  • Interaja com outros perfis que são parecidos com o seu.
  • Faça colaborações, isso ajuda o perfil a crescer e ajuda com conteúdo.
  • Contrate um profissional: você não espera ter dinheiro para contratar, você contrata para ter dinheiro.

Se quiser tirar dúvidas com Marília, mande pelo e-mail coletivoprocomunica@gmail.com

 

Oito passos para sua estratégia de comunicação alavancar os negócios

Vamos pensar em comunicação para o seu negócio? Sim! 

As mentoras do Coletivo desenvolveram uma plataforma em oito passos para orientar o que deve ser feito para bem comunicar uma marca. Trata-se da Marcativa. Veja quais são os passos e nos consulte para saber como aplicá-los.


#empreendedorismo #startups #comunicação #marcativa


Empreendedores e startups: como divulgar seu negócio?

Claudia Cezaro Zanuso conversou na live desta quarta-feira, 16 de setembro, com a jornalista e comunicadora Regina Valente, sobre a necessidade de divulgar os negócios e fazer isso de forma estruturada, com base em estratégias de comunicação.

Regina logo destacou que a pandemia acelerou muitos processos e a questão por trás das mudanças é a comunicação – as pessoas estão buscando formas de se comunicar por meio da tecnologia. Muita gente que perdeu emprego está tentando empreender e se comunicar. Independente do porte da empresa, todas têm que se comunicar e hoje há muitas ferramentas para a comunicação.

Qual o valor da comunicação para os novos negócios? Todo mundo pode (e deve) se comunicar. Não importa se você é um empreendedor autônomo, uma startup que acaba de entrar no mercado ou um unicórnio – é a velha história da galinha que cacareja toda vez que bota um ovo (mesmo que não seja de ouro!).

Há tanto valor na imprensa tradicional quanto no mundo digital. O importante é posicionar bem a marca e os serviços. Quanto melhor a comunicação, melhor o resultado de vendas. Não precisa ser uma supermarca para se posicionar. Hoje, uma série de áreas de empreendimento e startups estão até competindo com empresas grandes – estão fazendo uma boa comunicação.

Muitas startups valorizam a mídia tradicional. Há jornalistas especializados que criaram portais para isso. Há a Pequenas Empresas Grandes Negócios, que é um hub de informação. E tem o digital. Precisa ter o balanço e não ser refém do algoritmo.

 

O que dizer aos empreendedores para ajudar a aumentar/melhorar esse valor? Ter claro o objetivo de negócio – o que você faz – e qual é o seu propósito. E ainda com quem você quer falar. Com o consumidor final? Com empresas que compram seu produto/serviço? São perguntas determinantes para orientar na definição da estratégia da comunicação e, principalmente, no resultado. Vale lembrar, também, que nem sempre quantidade é sinônimo de visibilidade e mais vendas. A comunicação vai posicionar sua empresa/marca, mas é preciso estar onde seu público está.

É fundamental alinhar o objetivo do que você quer comunicar com o que o seu consumidor quer receber. Se a empresa fala com todo mundo, não está falando com ninguém.

 


Claudia destacou que é simples se comunicar, quando se entende a lógica.

E falou sobre os 8 passos da metodologia Marcativa, 

que serve como uma régua para o planejamento da comunicação. 

 

O empreendedor brasileiro dá valor para a comunicação? A comunicação está em alta. Com a pandemia, as pessoas começam a entender o papel de comunicação. Mas, na prática, muita gente confunde comunicação de imprensa, digital, com marketing e vendas. É preciso separar o que é comunicação para marca e reputação e a parte de marketing e vendas, que têm objetivos diferentes. As duas são comunicação.

A comunicação que fazemos é para posicionamento de marca e visibilidade – isso contribuirá certamente para o desempenho do negócio no longo prazo. Mas, para vender em volume, por exemplo, é preciso investir em outras mídias pagas – publicidade, propaganda em diversos meios online e off-line, campanhas, etc., dependendo do porte, do perfil e do tipo de negócio. Só lembre que: investir em publicidade sem um plano de comunicação (e vice-versa), pode não trazer os resultados esperados. Quanto mais integrada for sua comunicação de marca e institucional, mais chances de sucesso.

Você compararia a lógica para a gestão dos negócios, de um novo empreendedor com a dos startapeiros? No que eles se igualam e no diferem? São desafios diferentes. Empreender sozinho é diferente de gerir uma startup. O empreendedor autônomo é seu próprio gestor de administração, finanças, comunicação, etc. Ele pensa em tudo o tempo todo. E precisa pensar o negócio e a comunicação do negócio de uma forma mais “compacta” também. É trabalho de formiguinha. O bacana é que a comunicação se adapta a qualquer modelo de negócio.

É preciso fazer conteúdo nas redes. Pensando no universo pet, é fácil ver que posts nas redes sociais com animais repercutem muito. Esse comentário levou Claudia a falar de formas mais leves de comunicação e da variedade de redes, como o Tik Tok. De fato, disse Regina, muitas marcas de consumo estão indo para essa rede. O resultado é mais efetivo quando se usa o canal correto.

Como SEO ajuda? SEO é relevante. Deve-se usar de forma estratégica e que tenha sentido para seu perfil, de novo, sem ficar refém do algoritmo. Dependendo do perfil, em vez de investir no SEO, vale mais estar no Instagram. É avaliar caso a caso, ver o que faz mais sentido para seu negócio. 

As universidades estão incentivando alunos a empreender. O que acha? Sou entusiasta do empreendedorismo, me considero uma empreendedora. É bom estimular que entendam o mercado, saibam onde está seu talento e vejam oportunidade de negócios. No momento, vemos notícias desanimadoras para os jovens, mas eles não podem deixar de colocar em prática suas ideias. Ser empreendedor de sua carreira é fundamental.

Você acredita no self communicator? Ou faça você mesmo? Qual é o papel das agências hoje? É compartilhar conhecimento – planejar junto com o cliente. Em tese, nós entendemos de comunicação, mas o cliente deve participar do processo. A importância da agência está no suporte, treinamento, consultoria e relacionamento com a imprensa e o ecossistema. É importante contar com especialistas nesse processo, pessoas que vão ajudar a ampliar a visibilidade da marca de forma estratégica. Antes o processo era mais engessado. Hoje todos ganham. O cliente aprende com a gente e a gente se inspira com ele. Há uma valorização do que é autêntico, genuíno.

 

Como gerar empatia e identificação com seu público? Cada vez mais as pessoas consomem produtos e serviços online e, para isso, elas querem saber de quem estão comprando – precisam se identificar. Quem é você? Como é sua empresa? Como você quer ser percebido pelo seu público? O pequeno pode mostrar a fabricação e o processo de produção ao público. Isso causa empatia. Os jovens são muito ligados nisso.

 

Como as empresas estão se reinventando na pandemia? Reforçando: sou entusiasta do empreendedorismo. Vários segmentos estão se reinventado muito bem, como as Edtechs, no ensino privado. O Descomplica começou com ensino digital e está na crista da onda agora, pois se posicionou bem. No ramo imobiliário, alguns recorreram à visita virtual. Tem gente fechando negócio ser ter visitado o imóvel! E na alimentação, estão investindo no delivery, com aplicativos. 

Quais exemplos pode dar em relação a marcas de novos empreendedores bem comunicadas? Podemos comentar startups que vêm crescendo (Gympass, Descomplica, Quinto Andar, Arco Educação, Caju Benefícios, Solfácil, etc.). Essas empresas começaram desconhecidas e ganharam escala com muita velocidade. Elas foram atrás dos investidores, buscaram ajuda e mentoria no ecossistema e se comunicaram bem com o público-alvo. Muitos desses empreendedores, inclusive, não tiveram sucesso na primeira tentativa de empreender – pelo contrário. Alguns amargaram prejuízos e tiveram que recomeçar do zero. A gente sabe que, no Brasil, 1 de 4 startups não sobrevive após o 1º ano de vida. Por isso, é fundamental ter um bom plano de negócio amarrado a um bom plano de comunicação. E sempre ter em mente que persistir e aprender com as experiências também faz parte do crescimento e do sucesso.

Qual a melhor forma de comunicar o cuidado com os colaboradores? Essa discussão está no LinkedIn. Até que ponto é real dizer que a empresa está dando todo o respaldo ao funcionário em home office? Isso é legal, mas há suporte de saúde mental? Apoio psicológico? Tem que comunicar sem parecer oportunista. E fazer sentido.

 

Dicas de ouro para empreendedores na hora de usar comunicação para seus negócios:

 

1-   Estruture: quem é você, qual é o seu propósito. Desenhe seu negócio pensando em como pode contribuir para a sociedade.

2-    Defina aonde você quer chegar e com quem você quer falar – quem pode comprar seu produto ou serviço?

3-   Não atire para todos os lados. É importante calibrar expectativas. A comunicação pode começar pequena, com perspectiva de um caminho bonito.

4-  Use as redes sociais da melhor forma. Além de produzir conteúdo próprio, pode compartilhar conteúdos de outros, mas muito cuidado com fake news. O conteúdo deve ser de fonte com credibilidade, ser relevante e ter a ver com o negócio.

 

 

Sobre Regina Valente


Regina é jornalista, formada pela PUC-SP, com especialização em Comunicação Empresarial pela Universidade Metodista e cursos de aperfeiçoamento em marketing, gestão e empreendedorismo. Acumula mais de 20 anos de carreira, com vivência em imprensa/redação, comunicação corporativa e produção de conteúdo para clientes de diversos setores como Nestlé, TecBan, Microsoft, VERX, Sindsegsp, Pirelli, Deutsche Bank, Renova Energia, Duke Energy e Instituto Alfa e Beto, entre outros. Atualmente, está na FSB Comunicação, no atendimento a empres

Acolher, o que significa isso para os negócios?


No dia 19 de agosto, a relações-públicas Luciana Lima foi a convidada da mentora do Coletivo Pro Comunica Claudia Cezaro Zanuso para a live sobre o significado de acolher pelo olhar da hospitalidade para os negócios. Um dos principais motivos foi despertar no empreendedor o cuidado com aspectos intangíveis da sua marca e que geram engajamento e fidelização de clientes e colaboradores. Luciana tem mais de 30 anos de experiência profissional nas áreas de relacionamento e atendimento ao cliente, concierge e mordomia, gestão de serviços e hospitalidade aplicados ao ambiente corporativo.

Ela sente que o atual momento está exigindo mais sensibilidade das pessoas e dos negócios.Eu sinto muita mudança. As pessoas estão muito reativas, egoístas. Parece que metade das pessoas entendeu e a outra metade não entendeu os efeitos da pandemia. Acredito que esse desafio será resolvido por meio do acolhimento. Por exemplo, nas filas de atendimento de banco, eu me percebi extremamente ‘chata’ com as pessoas que ficam muito próximas, sem respeitar o distanciamento. Por isso, temos que ter um olhar e sensibilidade atentos.”

Segundo Luciana, é muito importante pensar nisso agora, porque o que se valoriza no atendimento mudou. Um excelente exemplo são os novos protocolos para a área de saúde. Tanto que ela criou um Programa de Reabertura Segura e Acolhedora, no qual  trata dos protocolos de biossegurança, totalmente ligados à experiência do cliente e de colaborador. “Biossegurança é ‘tocou, limpou’. Esse protocolo está ligado a serviços, mas as pessoas não estão acostumadas com isso ainda. Ele faz parte do agora, é muito relevante para o momento que estamos vivendo”, explica.

O que é hospitalidade?
Antes de tudo, é importante deixar claro que hospitalidade não tem a ver com hospital. A relação existente é com hotel, em como servir. Ela é baseada em alguns princípios como o ‘Bem/receber’ – receber o cliente de forma acolhedora e aproximativa, o ‘Acomodar’ – providenciar serviço de qualidade para o cliente, e o ‘Entreter’ – maneiras eficazes de interagir com o cliente. Por meio de toda a habilidade de comunicação envolvida com a hospitalidade, nós levamos o cliente para a sua melhor experiência. E hospitalidade também é ‘Pertencer’. Fui num laboratório que me disseram: “Aqui a gente te trata como se fossem da nossa família”. Me senti acolhida, isso que é ter hospitalidade com os clientes.
Quando falamos em hospitalidade também falamos sobre regras. Nós temos que ser doces, mas também firmes com os clientes. Imagine em uma loja ou em um salão de beleza, aonde chega alguém sem máscara. Você tem que ser doce e firme para falar ‘coloque a máscara, por favor’.

E o que é concierge?
Concierge é uma palavra francesa que representa o profissional da hotelaria. É um estilo de se relacionar com os clientes e também um mercado em expansão. Mas o concierge tem um viés além da hotelaria e cabe em outros segmentos de mercado. A amplitude dessa atividade é muito grande. Esse profissional zela pelo cliente dentro de sua estrutura, sendo física ou virtual, para o público interno ou externo.
Quando falamos de concierge, falamos de um profissional acima da média, que se preocupa com uma boa experiência ao cliente. Pelo cuidado em saber falar e receber as pessoas, ele faz mais do que um atendimento. Ele é um especialista em atendimento e no servir. Uma das frases que representam esse profissional é “Aprecie o seu cliente e ouça atentamente o que ele diz pra você”.
Falar em concierge é falar de acolhimento e “Acolher é entender a empresa, representar a marca e fazer a ponte com o cliente”.

Dá para acolher virtualmente?
Com a pandemia, a palavra acolhimento está sendo mais escutada. Nossa mentalidade mudou e dentro das organizações também. Então, o conceito de acolhimento é muito profundo, envolve o que você pode fazer pelo outro, e isso se estende para o ambiente virtual.

As reuniões virtuais fizeram com que as pessoas tivessem que se adaptar ao acolhimento: “desligue o microfone e ligue a sua câmera” são frases que estão em nosso cotidiano agora. E falando em lives, com elas nós aprendemos a ser mais autênticos. Se acontece um barulho alto ou se um animal de estimação aparece durante a live, isso já está sendo visto como algo habitual. Os vídeos do Tiktok também representam essa autenticidade. São mais aproximativos e o momento que vivemos proporciona isso.

Veja o que pensar na hora de acolher os públicos de relacionamento de seu negócio
Primeiro, precisamos entender o momento do agora! O agora pede um olhar atento para as pessoas e para o cuidado com a experiência delas. Os jornais, por exemplo, estão se sensibilizando ao falar dos números de mortes da Covid-19. Eles relatam “histórias” e não somente “números de mortes”.
Segundo, é que hoje o fator mais importante no atendimento é a segurança. Precisamos confiar nas empresas e ter certeza de uma entrega qualificada dos produtos, devidamente higienizados, por exemplo. E para esse momento, ter olhares mais carinhosos e leves. São palavras mais vistas em nossos vocabulários e relacionadas com o acolhimento.
“Devemos fazer para os clientes o mesmo que fazemos para nós em termos de segurança”.

Ao final, Luciana citou sua atuação voluntária no Grupo Mulheres do Brasil, uma ONG com 50 mil mulheres inscritas no País e no exterior, composta por 100 núcleos em vários Estados. O grupo começou há 7 anos com cerca de 40 mulheres. A ideia não é ficar inventando projetos e sim dar luz a projetos já existentes. Dar visibilidade. Todas podem participar e contribuir para 22 causas - https://www.linkedin.com/company/grupo-mulheres-do-brasil/
“Temos o objetivo de trabalhar para o Brasil, a favor do Brasil. Nos questionamos: O que eu estou fazendo hoje para o meu país? O meu trabalho lá é acolher as pessoas que chegam. O foco do grupo são as mulheres e preciso uni-las em prol de um Brasil melhor. Na técnica de acolhimento, eu procuro conhecer a mulher que está se apresentando, abrindo espaço para ela falar sobre quem ela é como pessoa, deixando de lado um pouco o profissional para aproximar mais as mulheres do grupo”.

Siga a Luciana e sua empresa de concierge nas redes sociais:
@lucianalima_salesbureau
@lugadeli_concierge e @lugadeli_concierge no Youtube

Ela é pesquisadora e curadora de conteúdo sobre o contexto Concierge e aplicabilidade em diversos setores de mercado desde 2009. Além disso, faz aplicação de treinamentos, palestras e workshops ministrados para mais de 8.500 profissionais em todo o Brasil.
Na área acadêmica, Luciana é docente convidada do Senac São Paulo sobre hospitalidade, eventos e serviços para o mercado de luxo em cursos livres e atendimento corporativo.
Foi graduada em Relações Públicas pela Universidade Metodista de São Paulo e fez MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas.



A transformação digital, o cliente e a comunicação


Gabriela Manzini foi a convidada de Monica Deliberato Baptista, mentora do Coletivo Pro Comunica, para a live de 5 de agosto. Gabriela é mãe recente do Nicolas e head de Comunicação e Conteúdo da startup Digitalks, referência em marketing digital no Brasil.  "Ajudo empresas a qualificar comunicação, relacionamento com clientes e experiência do usuário para a trasnformação digital", resumo ela.

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo, trabalha com comunicação desde 2008 e é especialista pós-graduada em Comunicação Corporativa e Relações Públicas pela Cásper Líbero com nanodegree em Marketing Digital. Atua hoje com comunicação estratégica, marketing digital, especialmente marketing de conteúdo e inbound.

Com o crescimento do empreendedorismo, como você percebe a formação das empresas? Os negócios são mais on-line?
Os jovens recém-formados empreendem mais. Eu vejo que o empreendedorismo aumentou muito com pandemia, por ser um momento que exige se reinventar. Existe também a questão cultural. Há pelo menos uma década de mudança de mindset, principalmente para os brasileiros, no sentido de ser empreendedor. Antes, a gente se formava para trabalhar em algum lugar. Hoje, é mais presente a mentalidade de criar um negócio próprio, e as startups ajudam nisso.

A influência externa, de outros mercados, torna os negócios mais online. Quem já é estabelecido e tem uma empresa há mais tempo, com a pandemia migrou para o ambiente digital, não só para se comunicar, mas para vender também. Tudo isso tem a ver com a transformação digital, que não é só para empresa grande.

As empresas com e-commerce têm outro tipo de experiência com o cliente?
Eu não gosto de pensar que com a pandemia a gente será só remoto. Temos que fazer uma analogia. Acredito que ninguém continuará em quarentena quando a vacina chegar. Não é porque tivemos essa experiência que isso significa que seremos só virtuais. Nós somos seres humanos associativos, precisamos estar em convívio. A diferença é que passou a existir uma forma híbrida de fazer isso. Já era algo que as empresas faziam antes, o despertar aconteceu nesse momento.

O que quer dizer com a transformação digital de uma empresa?
Ela tem algumas metodologias, isso não quer dizer que seja uma receita de bolo. Técnicas e estratégias não têm um único molde que cabe para todo tipo de negócio. Estudando e entendendo como aplicar um dos modelos, na prática é aplicar inovação em pilares como: processos, parcerias que sustentam a cadeia do negócio, pessoas e a cultura da empresa.

A transformação digital não é simples, precisa permear todas as esferas da empresa. Tecnologia não é o drive da transformação, é um auxilio que completa as tarefas e conecta as pessoas. Com tecnologia temos ganho em agilidade, de escala, como por exemplo disparo de e-mails para uma grande base de contatos. A automação desse processo é aplicação de tecnologia, ajudando a otimizar e gerando indicadores para análise de dados.

Quais são os pontos importantes para se obter uma boa qualidade na comunicação?
A comunicação passa pela cultura da empresa. Mesmo que seja pequena ou média, a empresa tem sua cultura. Para implementar uma nova ferramenta, você precisa comunicar isso de forma clara. Dentro da empresa e para fora da empresa. Fora da empresa exige planejamento e mapeamento de cada ação com o consumidor.

Cada ação tem que ter um único objetivo. Um anúncio que vai engajar, vender e lançar um produto ou serviço não vai funcionar. Mais acertado é cada ação de comunicação ter um objetivo e entender se gerou o resultado esperado.

Também não se pode abrir mão de um bom português e mapear o tom de voz. Por exemplo, a Magalu tem uma imagem feminina e simpática para atender os consumidores. Além de se adaptar ao consumidor, tem que adaptar a mensagem a cada canal. Posso citar Quem disse Berenice, Enjoei, iFood, Skol, L’Oreal, Heineken, todas essas marcas traduzem muito bem a persona de seus clientes na sua comunicação.

Para pequenas marcas, é possível fazer o mesmo. O importante é se inspirar em grandes marcas e pensar nesses aspectos desde o começo, do nascimento da marca. Desenhar a persona e o propósito. Recentemente a marca @lilacustomizados, que trabalha com objetos para quarto de bebê, se posicionou muito bem.

Como enxerga os impulsionamentos nas redes sociais|?
Eu acho que o investimento deve ser ponderado. Provavelmente se o investimento não dá resultado, vamos entender porque ou contratar alguém que trabalhe com isso. Eu sei que os impulsionamentos, ou melhor, as campanhas de ads são um dos pilares do marketing digital. É importante fazer e testar, mas é importante cuidar do conteúdo também.

Para fazer uma venda, desenhamos um funil com etapas de atração do cliente. O ad ajuda no final do funil. Na criação de uma marca, é preciso preparar o cliente para comprar. Em paralelo, gerar conteúdo para alavancar sua marca no médio e longo prazo.
Funciona assim: vamos supor que você é um pequeno empreendedor e faz anúncios dirigidos para quem e já está querendo comprar seu produto. E você lança um blog falando do assunto do seu negócio, trazendo um conteúdo que colabora para seu universo e que coloque as pessoas dentro do funil para que no final ela possa consumir de sua marca.

Quais são suas recomendações para quem quer iniciar um investimento em digital: Google, SEO, impulsionamento nas redes sociais, por onde acha que o empreendedor deve começar? 
Se eu preciso de um liquidificador, antes eu pensava em alguma marca. Hoje vou ao Google, ou qualquer buscador de preferência, e faço minha pesquisa sobre liquidificador. Há muita técnica para fazer as ofertas de liquidificador aparecerem como resultados da pesquisa. SEO é uma técnica. É a engenharia de otimização desta busca e o SEM é a parte paga. Em termos de SEO, o uso de palavras-chave é fundamental, aplicadas em todos os textos de chamada e no título das fotos de imagens que postamos. Tem outras coisas bem legais. Para quem quiser se aprofundar, sugiro o livro The Long Tail (A Cauda Longa). Nos espaços pagos, a marca participa dos leilões virtuais. Mas o ideal é a marca aparecer bem posicionada nas buscas orgânicas.

Chris Anderson, editor-chefe da revista ´Wired´, explorou pela primeira vez o fenômeno da ´cauda longa´ em um artigo que se tornou um dos mais influentes ensaios sobre negócios de nosso tempo. Usando o mundo dos filmes, dos livros e da música, mostra que a internet deu origem a um novo universo, no qual a receita total de diversos produtos de nicho, com baixo volume de vendas, é igual à receita total de poucos produtos de grande sucesso. Por isso cunhou o termo ´cauda longa´ para descrever essa situação, o qual tem sido usado pela alta gerência das empresas e pelos meios de comunicação no mundo todo. Nesse livro, Anderson mostra como chegamos a esse ponto e revela as enormes oportunidades que se originam desse fato, vislumbrando um futuro que está presente.


Como percebe o uso dos serviços de mensagem como Whatsapp pelo empreendedor e pelo usuário?
Quando eu era pequena e estudava história, por exemplo, eu decorava a data de tal revolução. Mais tarde, percebi que os fatos eram sequenciais e um consequência do outro. No marketing digital e na comunicação, isso também acontece. As coisas se conectam. A mensageria também é transformação digital. Eu vejo com muito bons olhos os serviços de mensageria como ação de marketing. Mas eles não sugiram para vender. A rede social e a mensageria surgiram para relacionamento e a venda, como consequência desse relacionamento do cliente com a marca e da marca com o cliente. Hoje o WhatsApp business permite que você tenha seu catálogo de produtos ali, como se você estivesse na loja física, mas esse ambiente é para tirar dúvidas do consumidor. No e-commerce, o cliente chega lá na sua loja virtual e compra. Na mensageria é um meio para criar e nutrir relacionamento. O bom vendedor conversa e propõe, sugere, cria a experiência.

Também existe o contrário, marcas que só conversam com seus clientes como um bate-papo entre amigos. A essência da marca ajuda a achar o equilíbrio desse relacionamento para que ele gere negócios.

As grandes marcas estão investindo em eventos online. Você acredita que este movimento veio para ficar?
É curioso esse fenômeno. A startup onde estou, a Digitalks, tem 11 anos e já passamos por várias fases. Temos site, portal, revista, cursos e hoje nosso carro-chefe são os eventos. Flavio Horta, nosso CEO, é convidado para falar sobre eventos. Neste ano, o Digitalks, nosso evento anual, seria para 10 mil pessoas presencialmente com palcos presenciais simultâneos. E como fazer para torná-lo virtual? Reinventamos e transformamos. O caminho é ser híbrido. Um speaker internacional pode marcar presença virtualmente, por exemplo. Portanto, acredito que os eventos não vão acabar!

Portanto #ficadica: o Digitalks será gratuito pela primeira vez em 11 anos de história do evento. Teremos conversas avançadas e iniciantes. Serão quatro palcos e keynotes, em 26, 27 e 28 de agosto. Não há limite de inscrição! Acesse digitalks.com.br/expo e participe!

Trajetórias e histórias de vida – uma forma lúdica de transmissão de cultura e valores




Suzana Mara de Carvalho Vernalha encantou as pessoas que assistiram a mais uma Live Pro Comunica, iniciativa que o Coletivo tem feito desde abril com empreendedores e profissionais da área de comunicação. Casada há mais de 40 anos, com dois filhos e três netos (“a cereja do bolo”), partiu para fazer o que estava lá no fundo do seu coração.

“Era uma vez” é o empreendimento que Suzana criou há cinco anos. Especializada em histórias de vida, livros de memória e escrita biográfica, ela valoriza as narrativas de quem deseja compartilhar experiências e eternizar a trajetória de vida. “Um sobrinho me deu a ideia do nome e uma designer fez o logo, com letras em fontes e cores diferentes. Assinamos com o complemento, ‘porque toda boa história começa assim’.

O propósito de Suzana em trabalhar com histórias de vida teve origem com a comunicação empresarial. “Antes, trabalhei com histórias de empresas e gostei de entrevistar as pessoas, que falavam muito de si próprias, contavam de seu trabalho e da vida pessoal. Ao compor suas histórias, dou um toque literário, com uma linguagem mais suave, mais poética, mais emocional, e não só racional.”

Ao fazer livros de memória, perfis de pessoas, inclusive profissionais e acadêmicos, ela lança mão de tudo o que já leu e aprendeu na vida. “Adoro ler. Sou apaixonada por livros e as pessoas ficam felizes de pegar um livro com o nome delas.”

“Estou contando a vida de um senhor de quase 80 anos. É uma história interessante: seus dois filhos me procuraram para que ele começasse a rememorar os passos da sua vida, até para ajudar sua memória. Uma trajetória bonita, vencendo desafios”, diz Suzana, que completa: “Ao ficar mais velhos, fazemos um resumo da vida e percebemos que alguns comportamentos se repetem. Desde criança, eu fazia diário. Guardo lembranças de todo tipo. Me tornei contadora de história voluntária em hospitais, o que estimula a aprender novas histórias e a contá-las. Fiz curso de escrita criativa e estou fazendo esforço para dar o melhor de mim. As pessoas estão confiando suas histórias para mim.”

“Para divulgar meus serviços, tenho pagina no Instagram e no Facebook, mas não dá tempo de alimentar. É importante, mas o trabalho que faço é muito personalizado, por isso é mais no boca a boca, por indicação. Hoje, minha vida está estruturada, porque não dá para fazer dois livros ou duas biografias ao mesmo tempo. Quando faço, mergulho na vida da pessoa, preciso criar confiança e intimidade.”


Qual o valor das histórias?

“A gente conta história o dia inteiro. Os nossos ancestrais a usavam para transmitir valores. O ancião contava histórias dos desafios que o povo tinha enfrentado. Elas servem para transmitir a cultura.”

“Na história de uma empresa ou de uma pessoa, a gente coloca todas as experiências, inclusive conta como caiu e deu a volta por cima. Isso gera o aprendizado. Quando um filho ou neto lê o que o pai ou a mãe passaram, entende melhor. Uma senhora de 70 anos me contou coisas que nem as filhas sabiam, como no roteiro do filme As Pontes de Madison”.

O trabalho que Suzana executa é completo. Para compor as histórias ela faz a curadoria dos materiais. “Ajudo a escolher fotos, documentos, papéis, tudo o que puder ilustrar o livro. No conteúdo também. Mas, respeito se a pessoa não quiser falar de alguma coisa.”

A metodologia dá lugar à sensibilidade de Suzana. “A pessoa vai contando a sua história, mas não tem o fio do bordado. Alguém forma uma colcha e aí ela se vê. A gente não tem noção de que superou tantas coisas e quando reúne tudo, a pessoa se sente empoderada. Acaba dando mais valor. A vida da gente é muito linda.”

Há também os processos de design, diagramação e produção gráfica, para os quais Suzana tem parceiros. Alguns clientes solicitam várias cópias de seu livro. “Um casal de noivos já me pediu o livro para distribuir como brinde aos convidados. O mesmo foi em uma festa de 15 anos. Então, foram umas cem cópias.”

Como Suzana se prepara?

Formada e pós-graduada em Comunicação Organizacional pela Universidade de São Paulo, fez curso de extensão em Marketing na Madia Marketing School e mais um tanto de cursos como: revisão e preparação de textos, criação de personagens, criação literária, storytelling, história da arte.

“A comunicação ajuda. Usamos a teoria, mas a prática é diferente. A metodologia de Suzana começa por entrevistar pessoas próximas, amigos, colegas, funcionários, etc. “Gravo tudo. Não escrevo porque não quero perder contato visual. Depois ouço e anoto os pontos mais importantes e aí faço o texto final.”

Como contadora de histórias, Suzana é voluntária na Associação Viva e Deixe Viver. “Descobri também há uns cinco anos. Valdir Cimino, fundador da associação tem um grande propósito, de, por meio da cultura, educação e valores, amenizar o sofrimento de criança de 0 a 18 anos em hospitais. Hoje, são mais de mil voluntários em 86 hospitais, sendo 49 só no Estado de São Paulo.”

Para ser voluntário, Suzana explica, é preciso fazer um curso (hoje, online). Depois, a pessoa escolhe um hospital de preferência. Ela vai, ou melhor, ia antes da pandemia, ao ITACI – Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, uma vez por semana. Por causa da quarentena, a equipe passou a usar o Facebook e o Instagram para contar histórias de forma online.

“A criança é avisada de que todos os dias, das 10 horas ao meio-dia, há contadores de histórias no site. É só entrar no www.vivaedeixeviver.org.br. Tem também a Bisbilhoteca, com várias histórias e uma aba chamada Personas, que artistas contam histórias. O sucesso foi tanto que terão de manter o projeto online.”

“Quando se conta uma história para uma criança em um hospital, ela vai para o universo da imaginação e da criatividade. Nosso cérebro tem dois lados, o racional e o da criatividade, e a história tem o poder de associar esses dois lados. Entra pelo lado do raciocínio, vai para a emoção e fica memorizada. Por isso, as marcas estão adotando histórias. Desta forma, as pessoas memorizam muito mais.”

“Primeiro, é preciso gostar de contar histórias e ter jeito para contar. Eu conto meus próprios livros e estudo o livro, porque as crianças perguntam coisas surpreendentes, que a gente nem pensou. Não leio a história, conto. Mostro as ilustrações do livro, mas conto, não leio, a menos que seja um poema.”

Todas Vidas Importam

O trabalho voluntário de Suzana vai além. “Também faço trabalho na organização Todas Vidas Importam, para pessoas com grandes carências (dependência química, pessoas que não tem nem R$ 1,50 para o Bom Prato), famílias severamente prejudicadas. É um grupo aberto e estamos ajudando essas pessoas. A idealizadora, a Dani, é muito jovem. Iniciou o grupo que foi crescendo, neste momento muito difícil para tanta gente.”

“Aceitamos donativos para compra no Bom Prato, estamos financiando reconstrução de moradias por meio de rifa – estamos construindo uma casa para uma senhora que tem três filhos, um autista, e agora vai morar com dignidade – e conseguimos colocar em clínicas três dependentes que queriam sair das ruas.”

Importância das relações e áreas de conhecimento

“As narrativas exigem grande background. Fiz vários cursos de criação literária, história da arte, storytelling. E pesquiso informações complementares. Uma das biografadas é uma senhora de 70 anos. Ela veio de São Pedro e morava em um sítio. Pedi uma descrição e pesquisei para colocá-la no sítio, que até virou personagem.”

No caso do senhor de quase 80 anos, Suzana pesquisou a cidade do sertão do Rio Grande do Norte, de onde ele veio. “Para pesquisa complementar, entrei no site da prefeitura e descobri que uma árvore deu nome à cidade. Posso abrir mais o leque e até ir ao local, dependendo do que a pessoa quer. Não tenho trabalho de prateleira.”

O que mais representa a humanidade são as pessoas que você vai juntando na vida. Isso vale para a história de todos nós!

Para encerrar, dicas de ouro para empreendedores e seus negócios:
  • 1  Ampliar as relações, o networking. É fundamental conhecer e ter relação legal com as pessoas
  • Abrir o leque, fazendo cursos e se conectando com pessoas de outras áreas de atividade
  • Ampliar o universo por meio de trabalho voluntário. A gente ganha muito mais do que a gente dá


Saiba mais sobre o trabalho de Suzana:

Era Uma Vez

Associação Viva e Deixa Viver

Grupo Todas Vidas Importam


O seu negócio é para o Instagram?

A mentora Claudia Cezaro Zanuso, do Coletivo Pro Comunica, conversou nesta quarta-feira, dia 7 de outubro, com a jornalista e influencer Ma...